terça-feira, 4 de julho de 2017

ARCABOUÇO ACADÊMICO | CHAMADA DE ARTIGOS

DOSSIÊ "Desafios da atuação de antropólogxs: Problematizando a formação, ética e narrativas de trabalho"

A Áltera – Revista de Antropologia do Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal da Paraíba (PPGA/UFPB) está com processo de submissão para o Dossiê "Desafios da atuação de antropólogxs: Problematizando a formação, ética e narrativas de trabalho", com a seguinte chamada:

"Há uma concepção compartilhada de que o trabalho dxs antropólogxs é voltado apenas para a produção e reprodução de conhecimento acadêmico, ao mesmo tempo em que, cada vez mais, cientistas sociais atuam nos mais diferentes setores da sociedade utilizando sua formação de modo aplicado. Laudos, perícias, consultorias, diagnósticos sociais, produção de filmes engajados para a mobilização social, avaliação e elaboração de políticas públicas são apenas algumas das áreas de trabalho dxs antropólogxs. Esse dossiê visa a problematizar as mais diferentes dinâmicas que desafiam a atuação dessxs profissionais, desde a busca ativa de espaços de inserção no mercado de trabalho, bem como a atuação em lugares já consolidados, nos quais essxs profissionais falam como especialistas ou ainda precisam se esforçar para que suas propostas aplicadas tenham ressonância. São bem vindos artigos e relatos de experiência que discutam a formação dxs antropólogxs diante da pouca frequência de disciplinas nos cursos de na graduação e pós-graduação que instrumentalizem xs estudantes para sua atuação no mercado de trabalho; artigos que problematizem como a formação ética dxs graduadxs e mestres encontra entraves quando aplicada fora do universo da pesquisa acadêmica; narrativas de trabalho que possibilitem a construção da expertise dxs antropólogxs atuando em contextos interdisciplinares e/ou cuja atuação não tenha sido prevista para um/a profissional de sua formação. Interessa-nos, ainda, discutir as formas como são desenvolvidas pesquisas sob encomenda em termos de negociação de prazos e demandas e as formas como são devolvidos os resultados de pesquisas para públicos específicos; reflexões sobre o tipo de escrita dos textos produzidos nesses ambientes de trabalho, além da descrição de cursos/disciplinas sobre o mercado de trabalho da Antropologia. O dossiê aceitará também ensaios fotográficos sobre os locais de trabalho dxs antropólogxs e sobre os dilemas encontrados na aplicação profissional da Antropologia."

Prazo para submissão: 1º de outubro de 2017
Mais informações e submissão CLIQUE AQUI

sexta-feira, 30 de junho de 2017

ACONTECE POR AQUI | Programa de Tutoria Voluntária (PTV)

Com a finalização do semestre letivo encerramos também o Programa de Tutoria Voluntária (PTV) da ESP do 1° semestre de 2017. Portanto, é necessário que enviem os Relatórios de Tutoria conforme disponível AQUI

Somente com o envio deste relatório é possível solicitar compensação das Horas Complementares.

A prazo de envio é até a próxima terça-feira, dia 04/07/2017.

É necessário preencher todos os campos de identificação e deve ser preenchido um relatório para cada tutor e para cada disciplina.

Qualquer dúvida estou a disposição.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

ACONTECE POR AQUI | CHAMADA DE ARTIGOS


A Revista Alabastro - revista eletrônica das alunas e alunos da FESPSP está com chamada aberta para sua 9ª Edição, para compor o Dossiê "Direitos Humanos e Sociedade"!!

Neste Dossiê especial “Direitos Humanos e Sociedade” a Revista Alabastro em parceira com o Núcleo de Direitos Humanos da FESPSP, convoca trabalhos que interroguem, de um ponto de vista crítico e interdisciplinar, as implicações culturais, políticas e econômicas envolvidas nas práticas e lutas sociais em torno dos Direitos Humanos no Brasil e no mundo. A Declaração Universal de 1948 estabeleceu os Direitos Humanos como um critério jurídico e um valor normativo a ser seguido, burlado e/ou violado pelos Estados nacionais signatários, sendo que no Brasil seus princípios foram oficialmente incorporados apenas 40 anos depois, na Constituição de 1988.

Os “tempos sombrios” atuais apontam uma forte rejeição ao conceito de universalidade dos direitos, fazendo com que o marco dos Direitos Humanos experimente o pior momento desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Com isso, muitos de seus fundamentos vem sendo dilapidados devido a intensidade dos conflitos sociais, crises econômicas e guerras sem fim - contra o terror, contra as drogas, contra a corrupção - que transbordam, contestam e alteram as formas de regulação definidas pela justiça e o direito. Considerando a complexidade dos discursos, atores e instituições que se têm estruturado em torno dos Direitos Humanos, este Dossiê propõe uma visão ampliada sobre diferentes tópicos conectados ao tema. Serão aceitos artigos científicos, resenhas, traduções, análise de material audiovisual e produções poético-literárias, que apresentem revisões da literatura, estudos de caso, análise de políticas públicas específicas, além de experiências artísticas, de intervenção e militância no campo dos Direitos Humanos.

Prazo para submissão: 30 de junho de 2017.
Os trabalhos podem ser redigidos em português, inglês ou espanhol e devem ser submetidos para avaliação no site da Revista Alabastro

ARCABOUÇO ACADÊMICO | LANÇAMENTO

Lançamento do livro A Crise das Esquerdas, que conta com textos e entrevistas dos professores Aldo Fornazieri, Carlos Muanis, Carla Diéguez, Carlos Melo, Moisés Marques e Rodrigo Estramanho de Almeida.

Descrição
A Crise das Esquerdas reúne importantes intelectuais brasileiros em ensaios e entrevistas, e tem o mérito de abordar sob diferentes enfoques temas relevantes, como o que significa ser de esquerda na atualidade. Após décadas de hegemonia neoliberal, não são programas e políticas de esquerda que se apresentam como alternativa, mas nacionalismos conservadores e de direita. Na América Latina, experimentou-se um momento de ascensão de governos progressistas, para então haver um retrocesso, com derrotas eleitorais e deposição de presidentes eleitos – como foi o caso do Brasil, do Paraguai e de Honduras. O que há de errado com as esquerdas? Seria o resultado de uma crise civilizatória, com o declínio dos valores do humanismo, da justiça e da igualdade? Os programas de esquerda teriam perdido a capacidade de dialogar com os novos grupos sociais emergidos da revolução tecnológica? Neste livro, intelectuais – professores e ativistas – se reúnem para indicar a resposta a estas e a outras indagações que perturbam a militância e o pensamento das esquerdas. O livro reúne textos e entrevistas de: Cícero Araújo, Guilherme Boulos, Renato Janine Ribeiro, Ruy Fausto, Sérgio Fausto, Tarso Genro, Aldo Fornazieri, Carlos Muanis, Carla Regina Mota Alonso Diéguez, Carlos Melo, Moisés Marques e Rodrigo Estramanho de Almeida.

Quando? Sex, 23/06 às 19h
Onde: Livraria Cultura do Conjunto Nacional, Av. Paulista, 2073 - Consolação
Mais informações aqui



ARCABOUÇO ACADÊMICO | EVENTO


Amanhã a professora Carla Dieguéz participará do evento "Repensando a Justiça no Planejamento Urbano-Regional de Sistemas Alimentares" com a proposta de repensar a questão do ponto de vista da empresa de alimentos urbanos (do Inglês urban food enterprise - UFE) conforme apresentada pelo urbanista Richard Nunes (Universidade de Reading)

Conforme apresentado no escopo do encontro, as UFEs são práticas comerciais socialmente inovadoras que buscam respostas alternativas e locais aos sistemas alimentares convencionais, desde insumos até a recuperação de recursos e gerenciamento de resíduos. No entanto, o pluralismo das práticas da UFE como alternativa às práticas alimentares convencionais está longe de ser coerente.

A tradição do pragmatismo e do pluralismo é utilizada para examinar essa combinação de atividade empresarial em um período de experimentação não resolvida para o planejamento de sistemas alimentares urbanos.

As questões que isso levanta são duas:

- "O que significa planejar quando pensamos sobre a criação de sistemas alimentares urbano-regionais sustentáveis e saudáveis?"

- "Como avançamos nesta agenda através da lente da 'justiça alimentar' ao abraçar a multiplicidade de formas de praticá-la?"

O autor argumenta que uma compreensão das práticas e do poder de justiça alimentar no planejamento de sistemas alimentares não deve ser atribuída ontologicamente, mas sim ser adotada como um conjunto de ecologias políticas emergentes e co-evolutivas.

Conferencista
Richard Nunes (Universidade de Reading)

Comentarista
Ana Lydia Sawaya (Unifesp e IEA-USP)
Carla Regina Mota Alonso Diéguez (Fespsp)
Patrícia Jaime (FSP-IEA)
Thais Mauad (FM e IEA - USP)

Moderação
Marcos Buckeridge (IB e IEA - USP)

Quando? Sex, 23/06 as 14h
Onde: Sala de Eventos do IEA, rua da Praça do Relógio, 109, bloco k, 5º andar.

Para participar é preciso fazer inscrição por este link: https://goo.gl/g1ugPo
O evento estará disponível ao vivo pela internet! Mais informações aqui

segunda-feira, 12 de junho de 2017

ACONTECE POR AQUI | REVISTA ALABASTRO

A 8ª edição da Alabastro está no ar!

São artigos, ensaios e análises de materiais audiovisuais que buscam contribuir com reflexões no campo das ciências sociais. O conteúdo completo está disponível em http://revistaalabastro.fespsp.org.br

A Revista também está com chamada aberta para submissão de trabalhos para compor o Dossiê “Direitos Humanos e Sociedade” previsto para a 9ª edição. Confira mais detalhes na página do Facebook.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

COLUNA | PENSANDO NUM FILME... por Bruno Mussil


“Eu, Daniel Blake”: aproximações com aspectos contemporâneos do capitalismo líquido e flexível

O belo filme “Eu, Daniel Blake” do cineasta Ken Loach trás à tona a história de Daniel Blake (interpretado por Dave Johns), um senhor de 60 anos que sofreu uma grave parada cardíaca enquanto trabalhava, que o impossibilitou de realizar atividades que demandam esforço, segundo seus médicos, com risco de novas lesões cardíacas caso voltasse a trabalhar em sua dura profissão de carpinteiro. 

Viúvo, sem filhos ou parentes próximos, Daniel Blake deve sua sobrevivência ao Estado. Vive um drama constante e diário pelos duros caminhos da burocracia estatal para conseguir receber o seguro desemprego ou a aposentadoria por invalidez que lhe garante uma pequena renda mensal que mal lhe auxilia no pagamento das contas domésticas. Assim, nesses árduos percalços burocráticos, Daniel é constrangido, humilhado, e vê-se perdido numa nova era (a era informatizada, online e tecnicista) – uma era que deixa paralisado no tempo àquele que não se rende ao novo mundo computadorizado – na qual conhece a jovem mãe solteira de duas crianças: Katie (Hayley Squires). 

A emblemática figura de Katie que luta
pela sobrevivência de sua família 
Katie é uma figura emblemática. Mãe solteira, ela também precisa do Estado para garantir a sobrevivência de sua família num pequeno e velho apartamento doado em Newcastle. Desempregada e longe de sua família londrina, Katie mergulha na angústia de não saber o que o futuro lhe reservará segundo após segundo, dia após dia. Como consequência, Katie chega a prostituir-se para conseguir dar um pouco de dignidade aos seus filhos que, assim como Daniel e Katie, veem seu caráter sendo corroído (para citar Richard Sennett) frente aos desafios da marginalização característica do capitalismo contemporâneo. 

Tal angústia, citada acima, é em parte explicada pela estrutura moderna do trabalho que, desde nosso processo de socialização à vida adulta, nos leva a negar o fracasso e a possibilidade de sua ocorrência, como afirma Sennett “o fracasso é o grande tabu moderno (...) a literatura popular está cheia de receitas de como vencer, mas em grande parte calada sobre como enfrentar o fracasso” (SENNETT, p.141, 2005). 

O filme aborda o desespero de ficar face-a-face
com o fracasso somado ao descaso do Estado
Katie e Daniel Blake, consequentemente, desesperam-se ao ficarem face-a-face com o fracasso somado ao descaso do Estado para com as pessoas em condição desoladora – que Karl Marx (2015), se assistisse o filme de Ken Loach, facilmente identificaria como parte do Lumpemproletariado (indivíduos que fazem parte de uma massa de pessoas arruinadas, flutuantes, e sem rumo). 

Daniel Blake, portanto, é um filme de nosso tempo de incertezas: nosso mundo líquido, no qual todas as instituições que considerávamos concretas assumem a fragilidade e flexibilidade líquidas anunciadas por Bauman (2007). Com o Welfare State não foi diferente. O Estado do bem-estar social, tão aclamado durante o século XX por apresentar-se como a saída do capitalismo às sérias crises cíclicas que assolaram o sistema econômico mundial, também é colocado em xeque. Sua liquidez se expressa na incerteza e fragilidade das personagens perante o Estado burocrático e as exigências flexíveis do atual mercado de trabalho. 

Referências Bibliográficas
BAUMAN, Zygmunt. Tempos líquidos. Zahar, 2007.
MARX, Karl. O 18 de brumário de Luís Bonaparte. Boitempo Editorial, 2015.
SENNETT, Richard. A corrosão do caráter: impactos pessoais no capitalismo contemporâneo. São Paulo: Record, 2005.

terça-feira, 30 de maio de 2017

ACONTECE POR AQUI | MESA DE DEBATE

Mesa de debate sobre “Museologia entre as Ciências da Informação e as Ciências Sociais” com mediação de Isabel Cristina Ayres da Silva Maringelli.

Sobre os participantes do debate:
- Daniel De Lucca: bacharel em Geografia (USP), professor e diretor do Núcleo de Direitos Humanos da FESPSP, doutor em Ciências Sociais pela UNICAMP/CNPQ-Capes, mestre em Antropologia Social (USP/FAPESP);
- Lia Dias Laranjeira: bacharela em Ciências Sociais, com concentração em Antropologia (UFBA), doutora em História Social (USP/FAPESP) e mestra em Estudos Étnicos e Africanos (UFBA);
- Juliana Monteiro: museóloga pela Universidade Federal da Bahia, com especialização em Gestão Pública pela FESPSP; 
- Simone Silva: doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP).

Quando? Sex, 09/05 as 19h30
Inscreva-se aqui

ACONTECE POR AQUI | AULA ESPECIAL



"QUESTÃO AGRÁRIA, TERRITORIALIDADES E DIREITOS ÉTNICOS"

Serão realizadas na FESPSP duas aulas especiais sob o tema "Questão agrária, territorialidades e direitos étnicos" com a presença de Talita Lazarin Dalbó, antropóloga pela USP, e Danilo Valentin Pereira, geógrafo pela UNESP, no dia 31 de maio. Já no dia 7 de junho é a vez de falarem: João Paulo Pires Perestrello, analista agrário do INCRA e Patrícia Borba de Souza, advogada pela Mackenzie.

Quando? 31/05 e 07/06, as 19h30


sexta-feira, 26 de maio de 2017

ACONTECE POR AQUI | FESPSP 84 ANOS

A nossa faculdade, a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, está completando 84 anos e em comemoração teremos um evento especial amanhã, sábado, a partir das 9h.

Confirme sua presença aqui

quinta-feira, 25 de maio de 2017

ACONTECE POR AQUI | INICIAÇÃO CIENTÍFICA 2017-2018

O prazo para inscrição de projetos para os programas de iniciação científica da FESPSP foram prorrogadas para 05/06/2017.


Quer saber mais sobre os editais que estão abertos? Clique aqui
ARCABOUÇO ACADÊMICO | CHAMADA DE ARTIGOS

DOSSIÊ "OCUPAÇÕES"

Tomar posse, preencher, apoderar-se, firmar, ocupar, resistir. 

Reconhecido principalmente em movimentos sociais, ocupar e estabelecer ocupações se apresentam como atos de resistência, afirmação e luta. Para além de espaços privados ou públicos, ocupar detêm simbolismos que sobrepõem à delimitação física do local. Entretanto, o termo também não se limita as questões sociais, estando presente em abordagens políticas, antropológicas, psicossociais e ambientais. 

Atenta a esse fenômeno, a Revista Três Pontos convida estudantes de graduação e recém graduados a submeter artigos, ensaios, resenhas e relatos de experiência para o seu próximo número, a edição 15.1 – jan/jun 2018. 

Este volume da revista traz como tema central Ocupações, aceitando contribuições que abordem:
1) Reflexões teóricas acerca do fenômeno “Ocupar” em perspectiva histórica e na atual conjuntura da globalização;
2) As ocupações no campo e na cidade e o problema social do acesso à terra e à moradia no Brasil e na América Latina;
3) Ocupação como protesto e instrumento de luta política;
4) Ocupações estudantis, em seus diversos contextos.
5) Demais interseções do fenômeno na perspectiva das Ciências Humanas e Sociais.

Prazo para submissão: 01 de agosto de 2017
Trabalhos devem ser enviados para: revistatrespontos@gmail.com
Mais informações na página do Facebook 


segunda-feira, 22 de maio de 2017

ACONTECE POR AQUI | FILME & DEBATE

"PRECISAMOS FALAR DO ASSÉDIO"

O Coletivo Feminista Virgínia Leone Bicudo está preparando uma sessão de cinema + debate sobre um tema muito importante: assédio!

"Na semana da mulher, uma van-estúdio parou em nove locais em São Paulo e no Rio de Janeiro. O objetivo era coletar depoimentos de mulheres vítimas de qualquer tipo de assédio. Ao todo, 140 decidiram falar. São relatos de mulheres de 14 a 85 anos, de zonas nobres ou periferias das duas cidades, com diferenças e semelhanças na violência que acontece todos os dias e pode se dar dentro de casa, em um beco escuro ou no meio da rua, à luz do dia. No filme, temos uma amostra significativa, 26 deles. Nos depoimentos puros, sem qualquer tipo de interlocução ou entrevista, acompanhamos um desabafo, um momento íntimo ou a oportunidade de falarem daquilo pela primeira vez."

Participação da diretora do filme, Paula Sacchetta, e da professora Isabela Oliveira.

Quando? Seg, 29/05 as 18h40
Onde: Auditório, 7º andar
Mais informações aqui, na página do evento


quinta-feira, 18 de maio de 2017

ACONTECE POR AQUI | GRUPO DE ESTUDOS

As orientandas e orientandos da Profª Sonia Nussenzweig Hotimsky estão com um grupo de estudos sobre gênero, raça, sexualidade e classe e convidam demais interessados em participar.

O texto escolhido é "COURO IMPERIAL: raça, gênero e sexualidade no debate colonial" de Anne McClintock, e até o momento somente a introdução foi abordada.

A professora responsável pelo grupo é a Professora de Antropologia da FESPSP Sonia Nussenzweig Hotimsky.

"'Couro imperial' é a crônica das ligações entre gênero, raça e classe que deram forma ao imperialismo britânico e à sua sangrenta desmontagem.
Cobrindo o século entre a Grã-Bretanha vitoriana e a luta pelo poder na África do Sul, o livro trata da relação entre raça e sexualidade, fetichismo e dinheiro, gênero e violência, domesticidade e mercado imperial, e analisa a influência do gênero sobre o nacionalismo nas zonas do poder imperial e anti-imperial. Utilizando teorias pós-coloniais, psicanalíticas e socialistas, 'Couro imperial' argumenta que as categorias de gênero, raça e classe não existem isoladamente, mas surgem em relação íntima entre si. Baseando-se em diversas formas culturais - romances, propaganda, diários, poesia, história oral e o espetáculo mercantil de massas -, o livro examina o imperialismo não só como uma poética da ambivalência, mas também como uma política da violência."

Quando? Próxima reunião na Qui, 01/06 às 15h
Onde: FESPS

quarta-feira, 17 de maio de 2017

CONTEXTO | VI ReACT

A VI ReACT é a Reunião de Antropologia da Ciência e da Tecnologia que está acontecendo na USP.

Com tema macro "entreviver", os encontros têm questionado a relação humana com outros outros: são plantas e animais, terras e atmosferas, rios e oceanos, técnicas e objetos. 

Em "ATMOSFERAS CRUZADAS" (16/05/17) palestrantes falaram sobre as percepções do ambiente em diferentes dimensões. Percepções sobre o vento, a poeira, a neblina, as temperaturas, sobre a gravidade e a falta dela - em mergulhos ou na Lua, colocam em evidência a potência do ambiente externo em determinar ou guiar o comportamento humano. As transformações decorrentes das mudanças climáticas, ou de outros impactos ambientais, são postas numa chave de perda de referências. "Os pássaros andam perdidos" (Carlos Iammini). Os sinais que a natureza dava para suprir a imprevisibilidade humana dos eventos climáticos estão "desregulados": as cigarras cantam, mas as chuvas não chegam. Se por um lado, a biologia explica as mudanças em termos de desequilíbrios e (re)equilíbrios constantes por parte da natureza, os fenômenos são colocados repentinamente diante das comunidades humanas e não-humanas, que dependem da adaptação às novas condições para sobreviver. Tal discussão dialoga com a proposta do filme "Para onde foram as andorinhas?", produzido pelo ISA e Instituto Catitu, que mostra de forma sensível como os povos que habitam o Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, estão percebendo e sentindo em seu dia a dia os impactos das mudanças do clima. Uma discussão atual e relevante, da qual a antropologia não pode se ausentar.

O debatedor da mesa foi Mauro William Barbosa de Almeida (UNICAMP), teve como mediador André Sicchieri Bailão, coord. (USP), e contou com as seguintes participações:
Heid Jerstad (Univ. Edimburgo) trouxe sua experiência numa aldeia pahari no norte da Índia, em que estudou as implicações das mudanças climáticas nas vidas humanas. De que maneira esta população percebe o ar? A chuva? As temperaturas diárias de calor, frio, são entendidas de que maneira? Há percepção sobre mudanças nestas sensações?

Cristián Simonetti (PUC-Chile) apresentou uma reflexão sobre o pensar e sentir as relações ambientais no espaço, a partir de etnografias desenvolvidas sobre a sensação de suspensão, que alguns experimentam na ausência da gravidade (como o caso de astronautas na Lua) e em mergulhos na água.

Carlos Arturo Navas Iammini (Instituto de Biociências, USP). por outro lado nos apresentou a visão da Biologia sobre o termo biodiversidade na era do Antropoceno, vinculada à discussão atual sobre a importância de manutenção das espécies e os desequilíbrios/equilíbrios ambientais decorrentes de alterações, grande parte delas com origem na ação humana.


Em "VIDA MULTIESPÉCIE" (17/05/17) o humano perde a centralidade de perspectiva na produção do mundo, e o multinaturalismo de Viveiros de Castro se torna uma das referências obrigatórias, assim como Donna Haraway. Nas florestas de castanhais (Igor Scaramuzzi) ele não é o protagonista, mas faz parte de uma rede de parcerias que o coloca em outra chave na relação homem-natureza, muito diferente daquela que predomina na ciência ocidental - o homem como aquele que domina e controla os processos naturais. Neste sentido, será que podemos ir além e pensar também outras relações constituídas apenas entre animais ou vegetais? Multiespécie não pressupõe que uma das partes seja a humana, e nos coloca a possibilidade de outras ontologias. Um debate que atinge inclusive a antropologia enquanto ciência do humano, o que é humano? Continuará a excluir da humanidade outras espécies vivas? E o que é vida? É possível a construção de uma antropologia que inclua outras formas de humanidade? Sussekind nos indica que humanos são todos aqueles que tratamos como humanos, enquanto animais são todos aqueles que tratamos como animais, e estas categorias não são dadas pela biologia ou pela ciência, elas são fluidas e relacionais. Com isso, uma virada multiespécie se contorna na antropologia, com um grande desafio posto, que é o de se produzir etnografias não antropocêntrias.

A mesa teve como debatedor Guilherme José da Silva e Sá (UnB) e como mediadora Joana Cabral de Oliveira, coord. (UNICAMP), e contou com as seguintes participações:
Igor Alexandre Badolato Scaramuzzi (USP) apresentou teorias de quilombolas do Alto Trombetas/PA acerca da formação e reprodução das florestas de castanhais. Para além das teorias da Botânica, que focalizam as explicações ou na ação humana ou na disseminação das sementes pela cutia, os locais versam sobre uma rede de parcerias que inclui cutias, aramãs, outros vegetais e os humanos que, embora necessários ("onde não há gente, não há castanhas"), não ocupam o lugar de protagonistas do processo. 

Uirá Garcia (UNIFESP), ao falar da relação dos Awá-Guajá e os macacos capelão/bugio, colocou em evidência a existência de questões interespecíficas, que se desenrolam independentemente das humanas, como certas alianças de domesticação entre espécies (palmeiras e cigarras, macacos e formigas, semelhantes a humanos e gatos). Uirá alertou ainda para a situação que atinge os capelões, que estão sendo exterminados devido a suposta ligação com o surto de febre amarela que atinge o país; eles estão sendo vistos como transmissores, e não como vítimas que são, assim como os humanos.

Felipe Sussekind (PUC-RJ) questionou, dentro da própria antropologia, o conceito de vida. Falando de simbioses e parasitismos, ele foi de comunidades de gados e humanos entre os Nuer, às construções políticas capitalistas do Ocidente, que vinculam em condições de dependência várias nações. 

A ReACT apenas começou, ainda tem mais dois dias de programação.

por Jéssica Ferreira Cardoso