Blog de conteúdo da Monitoria Científica da Escola de Sociologia e Política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).
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quinta-feira, 14 de maio de 2020
quarta-feira, 13 de maio de 2020
O que ler nas Ciencias Sociais sobre a conjutura da pandemia?
O que ler nas ciências sociais sobre a conjuntura da pandemia?
O que ler nas ciências sociais sobre a conjuntura da pandemia?
O Blog da DADOS começou a publicar, em 30 de março deste ano, uma série de pequenos textos de cientistas sociais sobre a pandemia do novo coronavírus. Esse post tem como objetivo reunir algumas iniciativas similares de associações profissionais, revistas acadêmicas, universidades, grupos de pesquisa, blogs e sites nas grandes áreas das ciências sociais. A seleção é restrita a indicações de materiais escritos e privilegia o contexto brasileiro. Atualizaremos a lista conforme sugestões de novas referências, que podem ser feitas nos comentários.
sexta-feira, 16 de agosto de 2019
homenagem aos 70 anos do Manifesto da CEPAL
FPA e CLACSO realizam seminário em homenagem aos 70 anos do Manifesto da CEPAL para pensar o futuro da questão nacional e a soberania da América Latina.
Estão todos convidados.
https://fpabramo.org.br/2019/08/08/fpa-e-clacso-realizam-ciclo-internacional-de-debates-em-sp/
Estão todos convidados.
https://fpabramo.org.br/2019/08/08/fpa-e-clacso-realizam-ciclo-internacional-de-debates-em-sp/
quarta-feira, 17 de maio de 2017
CONTEXTO | VI ReACT
A VI ReACT é a Reunião de Antropologia da Ciência e da Tecnologia que está acontecendo na USP.
Com tema macro "entreviver", os encontros têm questionado a relação humana com outros outros: são plantas e animais, terras e atmosferas, rios e oceanos, técnicas e objetos.
Em "ATMOSFERAS CRUZADAS" (16/05/17) palestrantes falaram sobre as percepções do ambiente em diferentes dimensões. Percepções sobre o vento, a poeira, a neblina, as temperaturas, sobre a gravidade e a falta dela - em mergulhos ou na Lua, colocam em evidência a potência do ambiente externo em determinar ou guiar o comportamento humano. As transformações decorrentes das mudanças climáticas, ou de outros impactos ambientais, são postas numa chave de perda de referências. "Os pássaros andam perdidos" (Carlos Iammini). Os sinais que a natureza dava para suprir a imprevisibilidade humana dos eventos climáticos estão "desregulados": as cigarras cantam, mas as chuvas não chegam. Se por um lado, a biologia explica as mudanças em termos de desequilíbrios e (re)equilíbrios constantes por parte da natureza, os fenômenos são colocados repentinamente diante das comunidades humanas e não-humanas, que dependem da adaptação às novas condições para sobreviver. Tal discussão dialoga com a proposta do filme "Para onde foram as andorinhas?", produzido pelo ISA e Instituto Catitu, que mostra de forma sensível como os povos que habitam o Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, estão percebendo e sentindo em seu dia a dia os impactos das mudanças do clima. Uma discussão atual e relevante, da qual a antropologia não pode se ausentar.
O debatedor da mesa foi Mauro William Barbosa de Almeida (UNICAMP), teve como mediador André Sicchieri Bailão, coord. (USP), e contou com as seguintes participações:
Heid Jerstad (Univ. Edimburgo) trouxe sua experiência numa aldeia pahari no norte da Índia, em que estudou as implicações das mudanças climáticas nas vidas humanas. De que maneira esta população percebe o ar? A chuva? As temperaturas diárias de calor, frio, são entendidas de que maneira? Há percepção sobre mudanças nestas sensações?
A VI ReACT é a Reunião de Antropologia da Ciência e da Tecnologia que está acontecendo na USP.
Com tema macro "entreviver", os encontros têm questionado a relação humana com outros outros: são plantas e animais, terras e atmosferas, rios e oceanos, técnicas e objetos.
Em "ATMOSFERAS CRUZADAS" (16/05/17) palestrantes falaram sobre as percepções do ambiente em diferentes dimensões. Percepções sobre o vento, a poeira, a neblina, as temperaturas, sobre a gravidade e a falta dela - em mergulhos ou na Lua, colocam em evidência a potência do ambiente externo em determinar ou guiar o comportamento humano. As transformações decorrentes das mudanças climáticas, ou de outros impactos ambientais, são postas numa chave de perda de referências. "Os pássaros andam perdidos" (Carlos Iammini). Os sinais que a natureza dava para suprir a imprevisibilidade humana dos eventos climáticos estão "desregulados": as cigarras cantam, mas as chuvas não chegam. Se por um lado, a biologia explica as mudanças em termos de desequilíbrios e (re)equilíbrios constantes por parte da natureza, os fenômenos são colocados repentinamente diante das comunidades humanas e não-humanas, que dependem da adaptação às novas condições para sobreviver. Tal discussão dialoga com a proposta do filme "Para onde foram as andorinhas?", produzido pelo ISA e Instituto Catitu, que mostra de forma sensível como os povos que habitam o Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, estão percebendo e sentindo em seu dia a dia os impactos das mudanças do clima. Uma discussão atual e relevante, da qual a antropologia não pode se ausentar.
O debatedor da mesa foi Mauro William Barbosa de Almeida (UNICAMP), teve como mediador André Sicchieri Bailão, coord. (USP), e contou com as seguintes participações:
Heid Jerstad (Univ. Edimburgo) trouxe sua experiência numa aldeia pahari no norte da Índia, em que estudou as implicações das mudanças climáticas nas vidas humanas. De que maneira esta população percebe o ar? A chuva? As temperaturas diárias de calor, frio, são entendidas de que maneira? Há percepção sobre mudanças nestas sensações?
Cristián Simonetti (PUC-Chile) apresentou uma reflexão sobre o pensar e sentir as relações ambientais no espaço, a partir de etnografias desenvolvidas sobre a sensação de suspensão, que alguns experimentam na ausência da gravidade (como o caso de astronautas na Lua) e em mergulhos na água.
Carlos Arturo Navas Iammini (Instituto de Biociências, USP). por outro lado nos apresentou a visão da Biologia sobre o termo biodiversidade na era do Antropoceno, vinculada à discussão atual sobre a importância de manutenção das espécies e os desequilíbrios/equilíbrios ambientais decorrentes de alterações, grande parte delas com origem na ação humana.
Em "VIDA MULTIESPÉCIE" (17/05/17) o humano perde a centralidade de perspectiva na produção do mundo, e o multinaturalismo de Viveiros de Castro se torna uma das referências obrigatórias, assim como Donna Haraway. Nas florestas de castanhais (Igor Scaramuzzi) ele não é o protagonista, mas faz parte de uma rede de parcerias que o coloca em outra chave na relação homem-natureza, muito diferente daquela que predomina na ciência ocidental - o homem como aquele que domina e controla os processos naturais. Neste sentido, será que podemos ir além e pensar também outras relações constituídas apenas entre animais ou vegetais? Multiespécie não pressupõe que uma das partes seja a humana, e nos coloca a possibilidade de outras ontologias. Um debate que atinge inclusive a antropologia enquanto ciência do humano, o que é humano? Continuará a excluir da humanidade outras espécies vivas? E o que é vida? É possível a construção de uma antropologia que inclua outras formas de humanidade? Sussekind nos indica que humanos são todos aqueles que tratamos como humanos, enquanto animais são todos aqueles que tratamos como animais, e estas categorias não são dadas pela biologia ou pela ciência, elas são fluidas e relacionais. Com isso, uma virada multiespécie se contorna na antropologia, com um grande desafio posto, que é o de se produzir etnografias não antropocêntrias.
A mesa teve como debatedor Guilherme José da Silva e Sá (UnB) e como mediadora Joana Cabral de Oliveira, coord. (UNICAMP), e contou com as seguintes participações:
Igor Alexandre Badolato Scaramuzzi (USP) apresentou teorias de quilombolas do Alto Trombetas/PA acerca da formação e reprodução das florestas de castanhais. Para além das teorias da Botânica, que focalizam as explicações ou na ação humana ou na disseminação das sementes pela cutia, os locais versam sobre uma rede de parcerias que inclui cutias, aramãs, outros vegetais e os humanos que, embora necessários ("onde não há gente, não há castanhas"), não ocupam o lugar de protagonistas do processo.
Uirá Garcia (UNIFESP), ao falar da relação dos Awá-Guajá e os macacos capelão/bugio, colocou em evidência a existência de questões interespecíficas, que se desenrolam independentemente das humanas, como certas alianças de domesticação entre espécies (palmeiras e cigarras, macacos e formigas, semelhantes a humanos e gatos). Uirá alertou ainda para a situação que atinge os capelões, que estão sendo exterminados devido a suposta ligação com o surto de febre amarela que atinge o país; eles estão sendo vistos como transmissores, e não como vítimas que são, assim como os humanos.
Felipe Sussekind (PUC-RJ) questionou, dentro da própria antropologia, o conceito de vida. Falando de simbioses e parasitismos, ele foi de comunidades de gados e humanos entre os Nuer, às construções políticas capitalistas do Ocidente, que vinculam em condições de dependência várias nações.
terça-feira, 4 de abril de 2017
COLUNA | CONTEXTO
A exclusão por trás da Reforma da Previdência
No dia 22 de março o Prof. Dr. Eduardo Fagnani do Instituto de Economia da UNICAMP veio até a FESPSP para um bate-papo em que apresentou os resultados do estudo “Previdência: reformar para excluir?” publicado pelo Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos e ANFIP – Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, em que desmistifica diversas destas suposições e esclarece outras dúvidas.
A expectativa de vida do brasileiro também não condiz com essa reforma. Nos países Europeus de onde veio a inspiração do governo, a expectativa de vida da população, tanto masculina quanto feminina, é muito maior do que do nosso país, o que possibilita 65 anos como uma idade plausível para aposentadoria europeia. Contudo, apesar de a expectativa de vida do brasileiro ser de 74,4 anos, este dado esconde desigualdades e condições de vida da população: a “expectativa de vida saudável” no Brasil é de 64 anos, e em cidades como São Paulo, há bairros em que a expectativa de vida sequer chega a 60 anos - no bairro Cidade Tiradentes, Zona Leste paulistana, ela é de 54 anos.
A reforma ainda desconsidera toda a situação de desigualdade existente entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Elas trabalham mais, encaram a dupla jornada diariamente, e recebem menores salários.
Não vai apenas dificultar, como disse Fagnani: “as pessoas não vão mais se aposentar. Ponto”. Toda uma parcela da população será simplesmente excluída do sistema previdenciário.
As justificativas do governo para a reforma também são amplamente questionadas. Ele explica que o tipo de previsão feita pelo governo é incalculável e mostra como não existe base científica para alegar o tal rombo. Estimar o gasto da previdência em 40 anos mesmo que com poucas variáveis não aponta nenhuma catástrofe; ao contrário do tão divulgado déficit, o professor mostrou como nos últimos anos a seguridade social tem presenciado superávit mesmo com aumento nas exonerações e sonegações.
Outro mito que cai por terra nas mãos do economista é o que menciona o aumento da dívida pública em função dos gastos com despesa primária, que incluem a previdência, saúde, educação... Entretanto, os dados mostram que dos 10% de aumento da dívida, apenas 1,1% são relativos às despesas primárias, enquanto 8,4% refere-se aos juros do governo. Para o professor o problema não é o envelhecimento da população, que estaria sobrecarregando o sistema previdenciário, e sim, a ausência de um projeto que lide com isso. Existem alternativas, como mudar a incidência dos impostos, da base salarial para a taxação sobre a renda e riqueza financeiras. O projeto do governo não seria apenas um ajuste fiscal, e sim uma quebra com o modelo de sociedade criado pela Constituição de 1988, portanto, inconstitucional.
A exclusão por trás da Reforma da Previdência
por Gabriel Carvalho e Jéssica Cardoso
Uma série de dúvidas pairam em torno da proposta do governo para reforma da previdência. Com a difusão de tantas informações através das redes sociais é comum ouvir sobre previsões apocalípticas e rombos econômicos absurdos, mas até que ponto isso é verdade?
No dia 22 de março o Prof. Dr. Eduardo Fagnani do Instituto de Economia da UNICAMP veio até a FESPSP para um bate-papo em que apresentou os resultados do estudo “Previdência: reformar para excluir?” publicado pelo Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos e ANFIP – Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, em que desmistifica diversas destas suposições e esclarece outras dúvidas.
A reforma realmente vai dificultar a aposentadoria? No novo cenário, além da idade mínima de 65 anos para homens e mulheres, é necessário a contribuição por 49 anos para a aposentadoria total, ou 25 anos para a parcial. O Prof. alerta como tais mudanças estão completamente fora da realidade do mercado de trabalho brasileiro, uma vez que práticas como a alta rotatividade e o mercado informal são muito comuns, principalmente se considerar o trabalho no meio rural, o que impede as pessoas de completar todos esses anos de carteira assinada.
A expectativa de vida do brasileiro também não condiz com essa reforma. Nos países Europeus de onde veio a inspiração do governo, a expectativa de vida da população, tanto masculina quanto feminina, é muito maior do que do nosso país, o que possibilita 65 anos como uma idade plausível para aposentadoria europeia. Contudo, apesar de a expectativa de vida do brasileiro ser de 74,4 anos, este dado esconde desigualdades e condições de vida da população: a “expectativa de vida saudável” no Brasil é de 64 anos, e em cidades como São Paulo, há bairros em que a expectativa de vida sequer chega a 60 anos - no bairro Cidade Tiradentes, Zona Leste paulistana, ela é de 54 anos.
A reforma ainda desconsidera toda a situação de desigualdade existente entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Elas trabalham mais, encaram a dupla jornada diariamente, e recebem menores salários.
Não vai apenas dificultar, como disse Fagnani: “as pessoas não vão mais se aposentar. Ponto”. Toda uma parcela da população será simplesmente excluída do sistema previdenciário.
As justificativas do governo para a reforma também são amplamente questionadas. Ele explica que o tipo de previsão feita pelo governo é incalculável e mostra como não existe base científica para alegar o tal rombo. Estimar o gasto da previdência em 40 anos mesmo que com poucas variáveis não aponta nenhuma catástrofe; ao contrário do tão divulgado déficit, o professor mostrou como nos últimos anos a seguridade social tem presenciado superávit mesmo com aumento nas exonerações e sonegações.
Outro mito que cai por terra nas mãos do economista é o que menciona o aumento da dívida pública em função dos gastos com despesa primária, que incluem a previdência, saúde, educação... Entretanto, os dados mostram que dos 10% de aumento da dívida, apenas 1,1% são relativos às despesas primárias, enquanto 8,4% refere-se aos juros do governo. Para o professor o problema não é o envelhecimento da população, que estaria sobrecarregando o sistema previdenciário, e sim, a ausência de um projeto que lide com isso. Existem alternativas, como mudar a incidência dos impostos, da base salarial para a taxação sobre a renda e riqueza financeiras. O projeto do governo não seria apenas um ajuste fiscal, e sim uma quebra com o modelo de sociedade criado pela Constituição de 1988, portanto, inconstitucional.
O estudo publicado pelo Dieese e ANFIP pode ser acessado aqui: “Previdência: reformar para excluir?”
A palestra com o Prof. Dr. Eduardo Fagnani que aconteceu na FESPS também está disponível na íntegra no youtube: "Reforma da Previdência: a quem serve?"
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